Criticado, Spoleto lança resposta bem humorada em vídeo

Marca aproveita repercussão da cena sobre atendimento feito em lojas que remetem a sua rede e fecha parceria com o site Kibe Loco para produzir segundo episódio

Bruno Garcia, do

Diante da repercussão do material publicado no Youtube com mais de 430 mil visualizações, a marca decidiu produzir um segundo vídeo

Rio de Janeiro – O Spoleto se valeu do sucesso de um vídeo produzido pelo site de humor Kibe Loco e fechou parceria para dar continuidade ao quadro que criticou a marca. Lançado há cerca de quinze dias, o vídeo original trazia o humorista Fábio Porchat no papel de atendente de um restaurante com características semelhantes ao Spoleto.

No roteiro, Porchat maltrata os clientes ao exigir que eles decidam pelo seu prato o mais rápido possível, em uma clara alusão à rede especializada em massas.

Diante da repercussão do material publicado no Youtube com mais de 430 mil visualizações,

http://www.youtube.com/watch?v=Un4r52t-cuk&feature=youtu.be

 

a marca decidiu produzir um segundo vídeo,

[http://www.youtube.com/watch?v=ebe-3s4TLfQ&feature=youtu.be]

uma continuação direta da cena, onde Porchat é repreendido pela chefia e precisa repensar suas atitudes. Ao final, o Spoleto pede desculpas aos seus consumidores e pede que eles reportem qualquer caso semelhante à rede.

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Qual o comportamento do internauta móvel?

O Ibope divulgou nesta quinta-feira, 13, o estudo Especial Mobile. O estudo apurou em quais situações os entrevistados acessam a internet no celular. Um grupo crescente da população, que tem necessidade de estar conectado a qualquer hora e em qualquer lugar, faz uso deste serviço tanto para “ganhar tempo” como para “ocupar o tempo”. A maioria – 84% dos pesquisados – declarou acessar enquanto espera para ser atendida.

Pelo menos 14% dos entrevistados disseram ter mais de um smartphone. Quanto à forma de conexão, quase 80% acessam via rede Wi-fi, seguida da 3G. Sobre o tipo de plano, 53% dizem ser pré-pago e 47% pós-pago. No total, 49% dizem que a internet é para uso exclusivamente pessoal, 6% exclusivamente profissional e 45% para ambos.

Já em relação aos conteúdos acessados, além do email, os sites de busca e as redes sociais são os preferidos pelos entrevistados.

A participação de smartphones entre os usuários de celular vem crescendo e a tendência é de que o acesso à internet via mobile se torne presente no cotidiano de mais consumidores brasileiros, representando uma grande oportunidade para empresas. Vão se diferenciar aquelas que definirem uma estratégia digital e mobile, com sites m. e aplicativos que ofereçam conteúdos de acordo com o perfil do seu público-alvo.

Segundo Fabia Juliasz, diretora de novos negócios e relações societárias do IBOPE, ainda existem inúmeros desafios para o aumento da base de usuários, como a qualidade no serviço e custo do acesso para o consumidor final. “A medição é fundamental para a inclusão de mobile no planejamento de mídia e, consequentemente, para o crescimento deste mercado baseado em métricas transparentes e de qualidade”, complementa.

O estudo foi baseado em pesquisa online realizada entre 25 de abril e 2 de maio de 2012.

Mercado
Segundo dados do Target Grupo Index, 84% da população das 11 principais regiões metropolitanas do Brasil possui celular; destes, 16% possuem smartphones. Há cinco anos a realidade era diferente, pois apenas 60% tinham celular, os aparelhos eram usados primordialmente para telefonar e o primeiro iPhone era lançado.

Comunicação do varejo não é atrativa nem motiva compra

Foco das marcas nas liquidações e reduções de preço prejudicam identificação por parte consumidor. Para ele, em diversas categorias todas são iguais ou muito parecidas

Por Isa Sousa, do Mundo do Marketing | 20/08/2012

isa@mundodomarketing.com.br

A comunicação do varejo não é atrativa e não motiva a compra nas categorias de têxtil, hipermercado e eletrodoméstico. A falta de um planejamento adequado que faça o consumidor entender uma marca e, a partir daí, se identificar com a linguagem usada por ela é falha no Brasil. A conclusão faz parte da pesquisa “O que funciona e o que não funciona na comunicação de varejo”, da Officina Sophia, apresentada na Brazilian Retail Week em 2012.

Boa parte dos grupos dialoga com seu público-alvo de duas formas: primeiro na construção e exposição da imagem da marca e, em seguida, na mobilização da compra por meio de ofertas e ações promocionais. O problema é que a linguagem utilizada pelas empresas concorrentes para se destacarem é praticamente a mesma e a diferenciação pouco se nota.

Para o estudo, a Officina Sophia avaliou na categoria têxtil as redes C&A, Marisa, Renner e Riachuelo. A falta de discernimento é constatada a partir dos filmes feitos para a divulgação das coleções: 63% dos consumidores ouvidos na pesquisa não identificaram a marca que assinava o vídeo. “Se a comunicação não é bem trabalhada no sentido de mostrar os diferenciais daquela loja, para aquele target, a tendência é de distanciamento dos consumidores. O ponto de venda pode ter posicionamento muito claro, mas sem eficiência na comunicação, haverá uma lacuna entre marca e público”, avalia Valéria Rodrigues, Diretora da Officina Sophia, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Na categoria hipermercado, a instituição avaliou o Carrefour, o Extra e o Walmart. Ainda que haja confusão entre as marcas, ela é menor, com 65% de identificação. A categoria eletrodomésticos, com Casas Bahia, Magazine Luiza e Ponto Frio, também têm índices menos negativos, com 62% de reconhecimento por parte dos consumidores.

Elementos necessários
Mais do que oferta e ações agressivas que nem sempre alcançam o esperado, o essencial para um planejamento de comunicação é o posicionamento claro de quem é a marca e o que ela quer transmitir. O estudo da Officina Sophia indica, por exemplo, que 87% dos brasileiros entrevistados não se sentem atraídos para consumir e 86% não se sentem motivados por não se reconhecerem nas estratégias de Marketing das redes analisadas.

A pasteurização que o mercado de varejo enfrenta hoje poderia ser atenuado com elementos que funcionem independentemente de ofertas ou ações promocionais. O personagem Sebastian, da C&A, é um case de sucesso neste sentido. Por 20 anos à frente de comerciais e estratégias da marca e encerrando a parceria em 2010, o dançarino permanece no imaginário do brasileiro.

Considerado garoto propaganda, o ator foi além em sua participação, transformando-se em um elemento de identificação da C&A. “O Sebastian tinha tudo a ver com a imagem que a marca queria passar. Moderno, jovem, antenado, ele personificava isso e personifica até hoje, ainda sendo exemplo de uma lembrança positiva e com aderência. O que não significa que todas as marcas precisem de personagens. Um slogan, cores bem definidas, ações de sustentabilidade são exemplos de elementos. Sem eles, os grupos acabam não conversando com os consumidores”, afirma Valéria.

Pensar além
Segundo meio de comunicação com capacidade de atrair e mobilizar consumidores, as vitrines são esquecidas pelas marcas. De acordo com o estudo, 90% dos consumidores não sentem vontade de entrar nos estabelecimentos de nenhuma das categorias estudadas ao se depararem com as vitrines e 89% não sentem motivação para comprarem a partir delas.

A identificação também é pouco assimilada: 80% não conseguem perceber qual é a rede apenas olhando uma vitrine. Para os entrevistados, não há entendimento do motivo que levam as lojas a taparem os produtos com preços em grandes formatos ou ainda cartazes que poluem a visualização dos mesmos. Estratégias como colocar looks completos ou apresentar peças com sobreposições e acessórios, na opinião dos consumidores, desmitificaria a funcionalidade do vestuário e, ao mesmo tempo, daria autenticidade à marca.

A não compreensão do uso das vitrines como mídia, tanto pelos grupos como pelas próprias agências criadoras de ações de Marketing, deixam uma grande oportunidade para trás e contribuem para a pasteurização. “Diariamente as marcas gastam dinheiro em mídias tradicionais ou online e não pensam na construção da imagem. Cada empresa deve ter seu posicionamento e usar isso para falar com o consumidor. Se as marcas deixarem de se comunicar, o distanciamento vai se tornar maior e a indiferenciação e comoditização também. Para o consumidor, tanto fará e tudo tem levado para esse caminho”, pontua a Diretora da Officina Sophia ao portal.

Como Ser Ouvido

Vivemos em um mundo barulhento. A competição por nossa atenção é infindável e implacável: rádio, TV, iPhones, programas de entrevistas com pessoas gritando umas com as outras… Mesmo comunicações silenciosas tiram nossa concentração: emails, Internet, SMS’s. É espantoso que consigamos dar conta do trabalho com tanta distração!

Diante desses obstáculos, como podemos atrair a atenção de alguém? É um problema que não tem solução fácil. “Grite mais alto. Seja rude e interrompa. Faça algo ousado e bizarro. Talvez desconecte o computador da pessoa”. Lembra-se do “combata o fogo com fogo”? O lema de hoje parece ser, “combata barulho com barulho”.

E, quando todos parecem estar falando de uma maneira ou de outra enquanto ninguém está ouvindo, causa surpresa que nos digam, e até mesmo prometam, que existe um lugar onde somos sempre ouvidos: o Trono celestial de Deus!

A Bíblia nos assegura que o Deus do Universo ouve nossas orações individualmente e as responde: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, Ele nos ouvirá. E se sabemos que Ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que Dele pedimos” (I João 5.14-15).

Quando buscamos nos comunicar com Deus, jamais somos colocados “em espera”, nem precisamos deixar mensagem na caixa postal, ou obtemos sinal de ocupado. Esta é a promessa Dele. E não precisamos nos recolher a uma igreja ou local religioso: podemos falar com Deus em qualquer lugar, a qualquer hora e sobre qualquer assunto!

Os negócios sofreram reviravolta negativa? Fale com Deus sobre isso. Você está pensando em mudar de carreira? Pergunte a Deus o que Ele acha. Dificuldades com finanças? Peça ajuda de Deus. Seu chefe é difícil? Queixe-se com Deus. Veja o que a Bíblia diz sobre o falar com Deus:

Deus ouve as orações dos que O seguem.Um dos requisitos para se aproximar de Deus em oração é ser membro da Família Dele – os que foram justificados com Ele através de Jesus Cristo. “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos e os Seus ouvidos estão atentos à sua oração” (I Pedro 3.12).

Deus ouve quando pedimos sabedoria.Uma coisa que empresários e profissionais precisam desesperadamente é sabedoria, e Deus prontamente a dá quando solicitada. “Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tiago 1.5).

Deus ouve as orações dos que confiam Nele.Uma das piores coisas que podemos fazer é pedir ajuda de um amigo e duvidar que ele nos ajude. Com Deus acontece o mesmo. “E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão” (Mateus 21.22).

Deus ouve as orações com motivação correta.Um tipo de oração que Deus rejeita é aquela baseada em desejos e motivos egoístas. “Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tiago 4.3).

As verdades da alimentação fora de casa que as marcas não conhecem

Comer na rua é uma realidade para 50% dos brasileiros das classes C e D no Brasil. Com uma estimativa de gastos de R$ 9 bilhões, empresas ainda estão cegas para criar iniciativas

Por Isa Sousa, do Mundo do Marketing | 01/08/2012

isa@mundodomarketing.com.br

A facilidade e a praticidade de comer na rua já se tornaram parte da vida de 50% dos brasileiros das classes C e D. As marcas, no entanto, não abriram os olhos para o potencial deste mercado. O Brasil é um dos países da América Latina onde os consumidores menos se alimentam na rua, com um índice de 36%, incluindo todas as classes sociais. No Peru, pelo menos 46% da população come fora e, na Argentina, o índice é de 44%. Ainda assim, por aqui, o setor é representativo: uma estimativa feita pela agência WMcCann indica que alimentação fora do lar chega a movimentar R$ 9 bilhões anualmente.

Os dados são parte da primeira pesquisa do projeto “Truth about street” (ou “A verdade sobre a rua”), da WMcCann Worldgroup, sobre consumo e comportamento dos latino-americanos. As formas que se relacionam com o comércio alimentício foram estudadas em 25 cidades de 18 países da América Latina com 12 mil consumidores. No Brasil, foram 4,5 mil pessoas ouvidas no eixo Rio-São Paulo.

A falta de investimento das empresas no setor reflete diretamente na invisibilidade delas e o conceito de marca é quase inexistente: 20% dos brasileiros não se lembram de nenhuma empresa relacionada a bebidas e 26% não se recordam de nenhuma marca de comida associada à saúde. Mesmo quando lembradas, os índices de reconhecimento são baixos. A Danone com 14%; a Unilever com 4%; a Bimbo com 2,5%, e a Kellogg’s e a Kraft Foods empatadas com 1,5%. Os 12% restantes são de marcas locais. A Nestlé, citada por 37% dos entrevistados, aparece como uma exceção.

“Ver para enxergar”
O quase desaparecimento das empresas também gera confusão e muitos consumidores se atrapalham na hora de separar marcas e categorias de produtos. Um das causas do conflito se deve à inexistência de exposição de itens ou ações nos pontos de venda. A invisibilidade é a primeira “verdade” em um ranking de 10 definições feitas pelo estudo do que o consumidor espera do comércio de rua e, por consequência, o que as marcas poderiam fazer para melhor ser relacionar com ele.

Usando o termo verdade como sinônimo de valorização dos consumidores em relação às marcas, a pesquisa confirmou a percepção anterior à apresentação dos resultados. “A rua é um lugar repleto de oportunidades, tanto do ponto de vista do posicionamento das marcas quanto das cifras movimentadas pelo mercado de alimentação. O grande problema é que as empresas veem, mas não enxergam e estamos falando de 63 milhões de pessoas economicamente ativas de duas classes sociais emergentes comendo fora de casa”, avalia Aloísio Pinto, Vice-Presidente de Planejamento da WMcCann e um dos responsáveis pela pesquisa no país, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A cegueira em relação à praticidade na hora de comer e à fidelização que pode ser gerada entre a marca e o cliente também são comuns na visão dos consumidores. Juntas, elas formam as verdades “Mover-se é preciso, comer é acessório” e “Intimidade gera confiança”. “Mesmo sabendo que todo mundo tem pressa e o convívio quase diário aproxima comprador e vendedor não há muitas ações para criar vínculo. A intimidade gera confiança no produto consumido e propicia a fidelização dos clientes”, afirma o Vice-Presidente.

O gosto da comida de rua
Mais do que ser saudável, a comida de rua precisa ser prática e agradar o paladar. No Brasil, 78% dos pontos de venda são quiosques, de acordo com a pesquisa, e alternativas como os combos são vistas como incentivo à compra, o que gera a quarta verdade “A oferta deve ser simples e conveniente”. “A compra casada ajuda a ‘empurrar’ a bebida e dá uma sensação de bom negócio para o consumidor e mais lucro ao comerciante”, avalia Pinto.

A falta de alimentos saudáveis não é um problema e “O que os olhos não veem o estômago não sente” é a quinta verdade. Segundo o estudo da WMcCann, tanto no Rio de Janeiro como em zonas periféricas de São Paulo, as condições dos locais estão em segundo plano. A cobrança é maior dentro de casa em relação a alimentos saudáveis e higiene.

Outro ponto é que o consumidor acredita no mito “A rua tem um tempero diferente”. A sexta verdade representa a rua como um universo gastronômico próprio, com sabores que não se encontram em casa. “Uma hipótese é que essa valorização ajuda a diminuir a culpa de trocar uma alimentação nutritiva por algo mais gostoso, o que seria menos perdoável dentro de casa”, afirma o executivo.

A culpa, no entanto, vem como sétima verdade paradoxal, intitulada de “Culpa (in) consciente”. Apesar da preocupação com a saúde existir no discurso dos entrevistados, quando estimulada, ela parece não fazer parte do processo de escolha. “No Rio, a pressa é citada como motivo para consumirem salgados ou alimentos pouco nutritivos. Já em São Paulo, a preocupação parece não existir. Muitos afirmaram que não acreditavam que o que estava sendo consumido não fosse saudável”.

Sentir-se bem é agora
O consumo de alimentos pouco saudáveis, de acordo com a pesquisa, faz com que os brasileiros tentem equilibrar a refeição com bebidas naturais ou diet. A oitava verdade, “Lei da compensação: uma balança ‘nutritiva’”, serve como desculpa e grande parte dos consumidores faz confusão de componentes das fórmulas dos produtos, gerando a verdade “Excesso de informação, pouca compreensão”. “Há muita referência, mas pouca compreensão sobre o que faz bem e o que faz mal à saúde”, diz Pinto.

Por outro lado, ainda que haja culpabilidade por se alimentar na rua, para os brasileiros das classes C e D, o “Bem estar é sentir-se bem agora”. A 10ª verdade traz o conceito de que felicidade e satisfação não precisam, necessariamente, ter relação com alimentos saudáveis e nutritivos. Questionados sobre marcas que trazem bem estar e saúde, muitos incluíram McDonald’s, Coca-Cola, cervejas e até certas marcas de cachaça como exemplos.

O conceito de comida de rua tem relação direta com felicidade e apesar de grandes marcas aparecerem como referências, ações com esses brasileiros são inconsistentes. “Comida saudável é que dá sossego e prazer instantâneo. A lógica da rua é outra e esse setor vai continuar crescendo. O brasileiro tem saído mais, seja por lazer ou a trabalho. A oportunidade está aqui e agora e o estudo serve para que as marcas acordem e não fiquem cegas perante um mercado que já apresenta números tão significativos”, indica o executivo da WMcCann.

Brasileiro inventor da bina cobra direitos na Justiça

Conheça a história do brasileiro que pode se tornar um dos homens mais ricos do mundo se vencer a batalha jurídica que trava há 14 anos para provar que inventou o bina, sistema que identifica chamadas telefônicas

por Tarso Araújo e Lívia Aguiar | Fotos: Marcelo Camargo | revista Galileu

“Alô? Quem fala?” Aos poucos, a tradicional saudação ao telefone vai perdendo o sentido. Afinal, quase todo mundo usa celular e todos eles indicam o número de quem está ligando. O que pouca gente sabe é que um brasileiro reivindica a invenção do sistema que permite a identificação da chamada. Nélio José Nicolai, mineiro de 71 anos, registrou a patente da primeira versão do dispositivo em 1980, quando o batizou de Bina – sigla de "B identifica o número de A". Apesar de a tecnologia estar disponível em muitos telefones fixos e em virtualmente todos os celulares do mundo, ele nunca recebeu royalties – dinheiro que se paga ao autor de um invento pelo direito de explorá-lo economicamente. Nos últimos 10 anos, ele vendeu casas, carros e até cotas de uma eventual indenização para pagar advogados e processar dezenas de empresas de telefonia. Ele já ganhou 3 ações em primeira instância e uma em segunda. Se vencer a enxurrada de recursos que os réus usam para protelar a decisão final, pode receber uma quantia bilionária, que o colocaria entre os homens mais ricos do mundo.

A história de Nicolai com o Bina começa na cidade de Brasília, em 1977, quando trabalhava na Telebrasília, operadora local da Telebrás, antiga holding estatal de prestação de serviços telefônicos. Formando em eletrotécnica, ele descobriu sua vocação para inventor desde seus primeiro emprego numa empresa de telefonia, a Ericsson. “Quando havia problema na montagem, precisávamos transmiti-los para os laboratórios no exterior e esperar as soluções. Eu comecei a mudar isso, pois já mandava a solução a ser implementada”, diz. Não é só seu relato que confirma o talento para a inovação: ele tem 40 patentes registradas no Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), com as mais variadas funções, desde leitores óticos para deficientes visuais até sistemas de proteção contra clonagem de cartões de crédito.

A ideia do Bina surgiu quando ele tentava resolver o problema de uma antiga brincadeira juvenil – os trotes telefônicos. “A solução veio num sonho.” Para testar, adaptou ao aparelho uma calculadora, que mostrava o número no visor e o imprimia em uma bobina. “Funcionou como primeiro protótipo”, conta. A Telebrasília não o incentivou a desenvolver a ideia por uma razão que hoje pode parecer piada: a estatal achava que identificar o número de quem fazia a chamada seria uma invasão de privacidade. Mesmo assim, Nélio registrou, em 1980, a patente dessa primeira versão do Bina. Dois anos depois, o destino facilitaria sua primeira aplicação prática.

ANTITROTE: Anúncio de um antigo modelo de Bina, cuja primeira versão foi patenteada por Nicolai em 1980. O aparelho era acoplado ao telefone para identificar o número de quem fazia uma chamada

“Eu alugava apartamento em um prédio em que só moravam oficiais dos bombeiros. Acabei os convencendo a fazer uma experiência”, diz Nicolai. Para eles, fugir de trotes era algo muito mais importante do que questões de privacidade. Os 4 aparelhos instalados na central 193 foram produzidos em 1982, por sua primeira empresa, a Sonintel. Era um aparelho pouco maior e mais baixo do que uma caixa de sapato, com cerca de 600 gramas, conectado ao telefone. Até que o invento foi parar em um seminário do extinto Ministério da Desburocratização, e a imprensa o descobriu. “Aí, minha vida começou a mudar. Ninguém mais conseguiu esconder o Bina”, lembra o pai da criança. Seus problemas com a paternidade do dispositivo, porém, já haviam começado.

Coleção de calotes
Antes de abrir sua própria empresa, Nicolai se associou a dois colegas, que teriam copiado a ideia. O mineiro diz que a dupla chegou a registrar uma patente e a lançar e comercializar um produto com a mesma função. O aparelho de Nicolai também despertou a atenção de companhias internacionais. Em 1984, a empresa de telefonia Bell Canada enviou representantes ao Brasil para estabelecer uma parceria com a Telebrasília, de olho no Bina. Naquele ano, ele foi demitido da estatal – antes e depois de sair, no entanto, visitou a empresa algumas vezes, para ajudar na montagem de um protótipo. A colaboração não foi para frente. Ou foi, porque, dois anos depois, surpresa: a Bell anunciou o desenvolvimento de um identificador de chamadas, lançado em 1988. Nicolai não recebeu nenhum crédto pelo produto.

Durante os anos 1980, as centrais telefônicas se modernizaram e Nicolai inventou uma nova versão do dispositivo, cuja patente seria solicitada em 1992 e aprovada em 1997. O inventor diz que, no mesmo ano, assinou contratos de licença de exploração da patente com a sueca Ericsson, para instalar e comercializar o Bina no Brasil por dois anos. Ele transferiu a tecnologia e, quando foi às telefônicas cobrar o pagamento de royalties, outra surpresa. “Avisaram que não me pagariam. Me mandavam ir à Justiça e, quem sabe, meus bisnetos veriam alguma coisa.”

A essa altura, ele também havia cedido licenças de exploração da patente para outra fabricante de telefones brasileira, que chegou a honrar os contratos por 10 meses. Até que a empresa interrompeu a produção do aparelho para importar um similar de Hong Kong – que tampouco pagava royalties a Nicolai. Cansado de tomar calotes, ele finalmente decidiu que estava na hora de ir aos tribunais, como a outra empresa havia ironicamente o instruído a fazer.

O tango judicial
Mas, afinal, Nicolai é ou não é o inventor do identificador de chamadas? E, se ele criou mesmo essa tecnologia, pode-se dizer que ela é usada por aparelhos de celular modernos? Nos dois casos, há controvérsias, muito exploradas nos tribunais.

Em algumas das ações, a Justiça já decidiu que, sim, Nélio José Nicolai é inventor do Bina e merece os royalties. As telefônicas brasileiras que vendiam o aparelho e o serviço e pagariam a conta recorreram. A Ericsson, por sua vez, entrou em 2003 com uma ação para anular a patente de 1992, alvo da disputa.

“Ela não tem suficiência descritiva nem atividade inventiva”, diz Clóvis Silveira, engenheiro eletrônico, sócio de um escritório de patentes contratado por réus das ações de Nicolai. Traduzindo: a patente não explicaria direito como funciona a tecnologia e, além disso, seria sobre uma tecnologia já existente. O que descumpriria dois requisitos para registro de um invento. Mas, então, porque a patente foi aceita?

Pois é, até o Inpi já mudou de opinião sobre o caso. Consultado pela Justiça, o instituto concordou que a patente não era válida e, depois, voltou atrás. Diante da confusão, a Justiça encomendou um laudo independente. Enquanto esse processo não é decidido, as outras ações estão paralisadas, desde 2005. “Por lei, um processo só pode ser suspenso por um ano. É por isso que o Nélio fica possesso”, diz Luis Felipe Belmonte, advogado do mineiro.

E a outra pergunta, sobre a tecnologia que Nicolai diz ter inventado ser a base para os celulares modernos? “Hoje, a patente perdeu o sentido, pois qualquer informação pode ser trocada entre as partes. O número de quem chama é apenas mais uma”, opina Hermes Magalhães, do departamento de Engenharia Eletrônica da UFMG. Hani Yehia, do Inova, laboratório de inovação da mesma universidade, discorda: “É como dizer que um avião de hoje não é o mesmo que um avião de 100 anos atrás. A telefonia mudou muito, mas os sinais que chegam à central telefônica são praticamente os mesmos."

O caso de Nicolai não é uma exceção. A história está cheia de brigas por propriedade intelectual, a começar pela do próprio telefone. Graham Bell levou a fama, mas registrou sua patente no mesmo dia (e horas depois) que outro inventor, chamado Elisha Gray, fez o mesmo para um equipamento de transmissão de voz. Bell venceu a briga nos tribunais, mas até hoje alguns historiadores defendem que ele roubou a ideia de Gray. Atualmente, mais do que nunca, essas disputas são decisivas no mercado de telecomunicações. No final, e no caso do Bina não será diferente, a opinão que vale é a da Justiça.

Uma informação, no entanto, indica que Nicolai tem chance de levar a fatura. E ela vem, justamente, da maior empresa processada por Nicolai – a Vivo. Como tem ações na Bolsa de Nova York, a companhia é obrigada a apresentar relatórios à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, com informações sobre, entre outras coisas, o risco de perder processos. No relatório de 31 de março de 2010 está escrito: “Acreditamos, com base no parecer de nossos consultores jurídicos externos, que a probabilidade de um resultado desfavorável é possível.”

TROCANDO EM NÚMEROS
Se Nicolai vencer, a Justiça terá outro trabalho complicado: decidir o valor da indenização, que possivelmente seria a maior já paga do país. No Brasil, uma patente tem validade de 20 anos. O valor pago por ela é um percentual – variável – do total arrecadado com o serviço ou produto que ela descreve. Nas ações, o brasileiro pede 25%. A base de cálculo seria o faturamento das empresas de telefonia com o Bina ao longo de 20 anos. E alguém paga pela identificação de chamadas? Hoje, quase ninguém. Mas nem sempre foi assim.

“Isso está nas contas de telefone. O valor do Bina vinha discriminado. Depois, as telefônicas passaram a usar ‘identificação de chamadas’ e afinal pararam de citar a cobrança na fatura”, diz Belmonte, acrescentando que a tarifa média praticada era de R$ 10 por mês. O fato de a patente de Nicolai expirar neste ano, e de as telefônicas não cobrarem mais pelo serviço, não elimina a dívida, que é calculada retroativamente.

A título de exemplo, o advogado faz as contas usando uma taxa de 20% de royalties, e chega ao resultado de R$ 113 bilhões (veja na página anterior). Com juros e correção monetária, o valor chegaria a cerca de R$ 185 bilhões. Para se ter uma ideia, essa fortuna faria do brasileiro o homem mais rico do mundo, com uma “folga” de 40 bilhões sobre o segundo colocado, o mexicano Carlos Slim Helu – que, aliás, é dono da Claro, controladora de telefônicas alvo das ações.

Você deve estar pensando: “ah, esse cálculo é um exagero!”. Nem tanto. No único processo vencido por Nicolai em que a Justiça já arbitrou a indenização, o valor foi de R$ 550 milhões. A ação era contra a Americel, subsidiária da Claro. Como o inventor processa 40 companhias, no total, e essa é uma das menores da lista, as cifras provavelmente chegariam mesmo às dezenas de bilhões de reais.

A facada seria tão grande que as empresas de telefonia já estão apelando para terceiros. Telebrasil e Abinee, duas associações de classe, enviaram petições à Anatel, solicitando sua intervenção "em defesa dos interesses do setor". No documento, elas dizem que o prejuízo será do consumidor, "que, além de ser privado do serviço, será certamente onerado com o repasse de eventuais custos incorridos pelas operadoras".

A grana viria em boa hora para Nicolai, que vendeu 3 apartamentos para pagar honorários de advogados e sustentar a família – ele não trabalha desde que foi demitido da Telebrasília, há quase 30 anos. “Nenhuma telefônica me quer por perto, né?” Nenhum de seus 4 filhos trabalha, tampouco, todos no compasso de espera pela indenização redentora. Quando a situação aperta, o mineiro vende cotas de 1% da indenização – já foram 15, a última teria sido negociada por R$ 100 mil. Apesar disso, ele está com o nome sujo na praça, graças a uma dívida de cartão de crédito. “Sou muito conhecido no Serasa”, diz, bem-humorado, apesar de tudo. “Não consigo comprar nem um telefone.” De seu celular pré-pago, ele admite que talvez só seus netos vejam a cor do dinheiro. Mas torce para que a Justiça brasileira não deixe isso acontecer. “Há mais de 10 anos, todo dia imagino que o resultado vai sair no mês que vem.”