Pai…

Esta nãouma conversa sentimental sobre “o velho”, até porque não estamos na época do dia dos pais, mas já que o título diz que vamos tratar do assunto, talvez seja bom refletir um pouco sobre o que representa essa figura do “pai” para você. É que isso varia muito de pessoa para pessoa. Existem

– o pai-herói

– o pai-chefão

– o pai-amigão

– o pai-cobrador

– o pai protetor

– o pai ausente

– o pai tirano

– o pai substituto

– o pai agressivo e perigoso

– o pai-vergonha-da-família

– e deve ainda haver outros, bons e ruins.

Sabemos disso, mas nossa relação pessoal com o pai costuma ser marcada por um desses modelos, de modo que “pai” é “isso” – e fica difícil imaginar algo diferente.

Recentemente falamos sobre oração, sobre conversar com Deus, lembra-se? Observamos o modelo que Jesus sugeriu para tanto, e este começa tratando Deus de “Pai”.

Se você quiser orar e fazer disso algo mais do que recitar um versinho, pode tropeçar nesse “Pai”. Que é que lhe passa pela cabeça ao chamar Deus de Pai? Uma noção de carinho, conforto, segurança, afeto, respeito, temor, insegurança, medo, pavor, ou quem sabe até repulsa, para não dizer ódio? Porque, para a oração valer alguma coisa, esse “Pai” não pode ser mera terminologia. A coisa vai mais fundo.

Assim, tente esquecer a figura do seu próprio pai quando for tratar com Deus – ela certamente não confere.

Uma coisa é certa: enquanto os pais humanos são imperfeitos, cometem erros e alguns são até francamente malvados, Deus como nosso Pai e Criador é absolutamente bom e não só quer o nosso bem, como é o único capaz de provê-lo com perfeição.

Assim, Jesus nos ensina a confiar no carinho do Pai para conosco. O termo que ele usa para dirigir-se a Deus é “Abba”, um termo carinhoso e íntimo, tal como “papai”.

Por outro lado, a relação de pai-filho implica dois outros aspectos importantes:

– A obediência, algo que cada vez mais cai em descrédito nas nossas famílias. Mas até um mínimo de bom-senso deixa claro que um filho pequeno certamente deve, no seu próprio interesse, obedecer às determinações do pai, ainda mais quando pode ter certeza de que esse pai sabe e quer o que é melhor. E, diante de Deus, decididamente não somos mais do que umas criancinhas.

– O outro aspecto é a velha máxima “tal pai, tal filho.” O normal é que o filho seja parecido com o pai. Jesus dá este exemplo sobre isso:

“Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.” ¹

E logo em seguida:

“Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês”. ²

O padrão é muito alto, portanto. Só posso chamar Deus de Pai se me identificar plenamente com ele em propósitos e atitudes.

Mas a recíproca também vale: para eu poder agir desta forma, é preciso que eu possa chamar legitimamente Deus de Pai – essa bondade incondicional é divina, não humana, e excede nossa própria capacidade.

A boa notícia é que Deus nos oferece essa possibilidade de compartilhar sua natureza, por iniciativa e graça dele. Ele é que cria as condições para isso:

“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.”³

Deus quer ser nosso Pai e tratar-nos como filhos, mas é claro que temos de ficar com ele e seguir sua orientação. Caso contrário, não adianta nada chamar-se “filho” e dizer que “Deus é meu pai.” Na famosa história do filho pródigo que Jesus contou, o filho que abandonou a casa do pai poderia até dizer, no lugar em que foi parar: “Tenho um pai rico”. Só que esse lugar era no meio de uma manada de porcos, onde ele comia a ração destes. Assim não dá! Para que fizesse sentido dizer “Pai”, ele teve de voltar para casa.

Por onde você tem andado em relação a Deus? Vale a pena chamá-lo de Pai, mas só se for “em casa”, submetendo-se a ele em confiança e obediência.

Que tal voltar para casa? Faz tempo que o Pai espera…

Referências da Bíblia: ¹Mateus 5.44,45; ²Mateus 5.48; ³Romanos 8.14

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