As marretadas e o foco

Falando de gente malvada, alguém já disse com alguma ironia que ninguém é completamente inútil: na pior das hipóteses, pode servir de exemplo negativo. Mas, falando sério, para que será que serve a maldade? Todos concordam que seria melhor não existir maldade, assim:

“Deus viu tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom.” ¹

Diante disso, surgem algumas perguntas que vêm incomodando a humanidade e que certamente também já incomodaram você:

De onde vem a maldade?

Se Deus não quer a maldade, por que não acaba com ela?

Onde está Deus quando acontecem malvadezas?

Será que nessa hora o Mal, seja ele quem for, ficou maior do que Deus?

Dá para se confiar num Deus assim?

Será que ele existe?

Perguntas graves, que mexem diretamente com a nossa vida.

A falta de resposta leva uns à indiferença, outros ao desespero, e ainda outros ao extremo de aderir à maldade, talvez para se defender, talvez para se vingar.

Existe uma resposta surpreendente para isso no seguinte episódio:

O antigo império babilônico era conhecido pela violência. Avançava sobre os vizinhos em guerras de conquista, por pura maldade e ganância de dominar o mundo. Numa dessas também arrasou o pequeno reino de Judá/Israel. E Deus, o Deus de Israel, o Deus vivo, onde estava e o que fez? Vejam só, Ele mandou um recado àquele império:

“Você que vive junto a muitas águas e está rico de tesouros, … você é o meu martelo, a minha arma de guerra.” ²

Acho que ser chamado de martelo não é propriamente um elogio. O martelo é uma ferramenta grosseira, bruta, sem sombra de inteligência, que só sabe bater. Aliás, nem isso sabe – o martelo só bate quando alguém o pega na mão e o usa.

E foi o que Deus fez com a Babilônia, no caso. O texto acima continua assim:

“Com você eu despedaço nações, com você eu destruo reinos…” ³

Aquele reino de Judá que os babilônios arrasaram estava caindo de podre e Deus teve de removê-lo para poder depois restaurá-lo devidamente. E já que a Babilônia queria fazer isso mesmo, Deus deixou – para que sua maldade ficasse sob controle e dela ainda brotasse algo de bom. O que não quer dizer aprovação: isso é outra história. No primeiro texto que citei há uma interrupção (…). Lá consta o seguinte:

…tesouros, chegou o seu fim, a hora de você ser eliminado.” 4

Em seguida, Deus explica que seu propósito é criar e não destruir. A maldade tem limites. Para nós, a questão é de foco: quando este está em Deus, até mesmo a maldade dos outros será um instrumento para o nosso bem. Já quando o foco somos nós mesmos, então

cuidado, porque a nossa própria maldade pode acabar conosco.

Pelo menos por enquanto, a maldade está aí, dentro e em torno de nós. Entretanto, podemos escolher se queremos ser só marreta (descartável!) ou se permitiremos que Deus use até mesmo o mal para nos restaurar.

Referências da Bíblia: ¹ Gênesis 1.31; ² Jeremias 51.13a,20a; ³ Jeremias 51.20b; 4 Jeremias 51.13b

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